Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Natal. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

O cheiro do Natal

A água a borbulhar interrompe o descanso daquela manhã de Inverno que ainda não avistou sol. A cafeteira já gasta de tanto ser areada, dança em cima do lume enquanto lhe deitam três colheres de café e mexem com vigor. O aroma a início de dia invade o barracão que faz as vezes de cozinha. Agora é esperar que a borra assente. 

De bata vestida e rodilha metida no bolso, ela enrola o pano à volta da cabeça que o corpo não sabe o que é estar quieto. Agarra no alguidar de barro lascado com a facilidade de quem pega num lençol e ajeita-o em cima do banco. Na mesa está a abóbora cozida de véspera e a bola de pão em massa que se guardou da última fornada. A farinha escolhida pela mão de quem a conhece, o ácido do limão e da laranja para condimentar e o abafado a juntar-se à aguardente para dar corpo à massa.  

Faz-se ao trabalho de mangas arregaçadas e receita guardada no fundo da memória, sem dúvidas ou medidas. As mãos é que sabem se a massa pede mais farinha e a língua decide o que falta ou o que está a mais. 

Amassa com vigor e de corpo dobrado. Levanta a massa em peso para logo a seguir a largar no alguidar que responde com um baque seco contra o banco de madeira que ameaça tomar. O suor a aparecer debaixo do lenço, o braço a limpar a testa e as mãos a voltar ao trabalho. 

- O alguidar tem de ficar limpo, a massa tem de levantar toda. 

E quando isso acontece é altura de tapar a massa com os cobertores e deixá-la à beira do lume. Dar-lhe tempo para dobrar de tamanho enquanto se aquece a alma com o café de borra. Enquanto se faz a vida normal. Esperar que seja tempo de ver aquela massa esbranquiçada a ganhar volume, a virar sobre si mesma e a flutuar no óleo enquanto começa a ganhar cor. 

Esperar porque o trabalho que começou de manhã só termina à noite. A família já sentada à mesa para celebrar aquilo a que chamam de Natal e as mulheres à volta do lume a fritar os velhozes. O cheiro a açúcar e a canela a despertar os estômagos. O prato preparado para a vizinha. O Natal.

Publicado na Revista DADA de Dezembro de 2018

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Fogueira de Natal

O nevoeiro da rua escapava pelas frestas das paredes e entrava pelas casas trazendo consigo o frio de Dezembro. A braseira não aquecia mais do que o que estava a dois passos dela e as mulheres puxavam os xailes de lã para os ombros enquanto amassavam sem descanso. 

Fora elas, a casa estava vazia. Os homens estavam a ver se o balcão da taberna não tombava e os miúdos andavam pela rua, uns com outros. O mesmo todos os anos. O cheiro da massa a levedar de um lado, o vinho vendido com sendo melhor do que era no outro e as carroças carregadas de lenha com os outros. 

Os mais novos, acompanhados por quem já tinha idade para saber o que era o juízo, andavam rua acima e rua abaixo divididos por carroças e com mais uns quantos a pé. Sem destino certo além da certeza se cumprir o mesmo objectivo de todos os anos. 

- Vamos lá acima. Tinham um troço deste tamanho - e abriam os braços duma largura quase impossível de ser verdade, mas que convencia todos. 

Abriam os portões deixados ao trinco e entravam por ali dentro sem se preocuparem com autorização. Ate era melhor assim, à socapa. Com o frio na barriga que só dá a quem sabe que o que faz não e certo, mas com descanso de ser permitido. Afinal, tradição e tradição. E, se fossem ser rigorosos, do lado de lá da janela a cortina tonha sido arredava e havia um ou dois pares de olhos a fixá-los. Se não diziam nada era porque estavam de acordo com aquela invasão. 

Assim, vindos daqui e dali, juntavam-se troncos e raízes. Árvores que estavam caídas e outras que já tinham visto melhores dias atiradas para a carroça sem pedir licença. Miúdos certos transformados em deliquentes por um dia com a autorização muda de todos. 

Lá iam eles, rua acima e rua abaixo com o trote dos cavalos e as conversas gritadas. Quando a noite começava a cair, encontravam-se todos na velha praça. Troncos ao centro, lenha miúda para atear e o fósforo a fazee o serviço. Era ver pegar fogo e ficar até se querer. 

E assim, com tão pouco, estava feita a véspera de Natal. Homens e mulheres iam chegando aos poucos. Um prato de belhozes e outro de coscoroes ainda quentes. Um chouriço roubado à chaminé de casa, mais um toucinho entremeado e umas fatias de pão. O pouco dava em muito quando era dividido por todos. Na rua, com a fogueira a arder e sem prendas além da conpanhia dos vizinhos, fazia-se o Natal ali. Com conversa e o calor do lume que resistia às dificuldades e ao tempo. 

A fogueira de Natal a arder até que entre o novo ano. Que viesse melhor do que este, era o que se esperava. Nem sempre se cumpria. Mas era certo que a tradição voltava e que a fogueira de lenha roubada ia arder durante uma semana. Pelo menos naquele tempo.

sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Natal a Servir

Antes da menina chegar vinda lá de Lisboa, chegava a mulher de todos os anos. Aquela que amassava as broas e os coscorões que iam à mesa na ceia de Natal e que adoçavam a boca da família. Só da família. Amassava sob o olhar atento da senhora e com a mão pronta da criada para ajudar. Era para trabalhar que ela lá estava. 

Miúda delgada que o corpo não conhecia comida que lhe enchesse as peles. Nem no Natal. A casa esperava a chegada da menina que vinha lá de Lisboa com a família. Eram eles que se lambuzavam com os doces que ela fazia. Ali, durante horas esquecidas. O fogão a lenha aceso o dia todo. O fogareiro a petróleo pronto para os escaldadinhos. O corpo dorido. 

Tinha sido a criada da menina que lhe tinha ensinado, mas era a sua mão doceira que encantava a família. A farinha e os ovos perfumados a limão e regados a aguardente. O óleo a borbulhar com o calor do fogareiro e ela ali, agachada, a queimar os braços enquanto virava os fritos. 

Mais um Natal. Mais um dia de trabalho que o corpo só descansa depois de tudo arrumado e limpo. Volta ao trabalho antes de perceber que descansou. Quando a senhora toca à sineta. Sete e meia da manhã em ponto. Era preciso estar de olho nas criadas de servir que já se sabe como são. 

E ela levantava-se, arrepiada com a corrente de ar frio que chegava lá de fora. Vestia a roupa de trabalho e lá ia ela. Na cozinha sentia-se o cheiro doce das broas que lhe moeram os braços. Ela não lhes tocava. Não tinha autorização para isso. Aquelas eram para a família. São para ela as olhar enquanto serve o jantar. Nada mais. 

Quando a menina voltar a Lisboa, a senhora vai guardar as que sobrarem. Fechadas à chave no armário da cozinha. Chave guardada onde só a senhora sabe. No próximo ano volta tudo a repetir-se e aí, só aí, a criada tem autorização de tocar nas broas que ajudou a amassar. As do ano anterior, perfumadas a bafio de doze meses e duras da madeira que as guardou. 

É a vida das que estão para todo o serviço. Só para o serviço. Até no Natal.


Texto publicado originalmente na Revista DADA de Dezembro de 2017

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Depois da época

E termina assim. A casa vazia depois de dois dias de barulho e correrias. As cadeiras que sobram para o dia-a-dia que ali se vive. A terra que diz adeus aos que já não se consideram seus. 

Foram para longe. Um longe que não se mede por quilómetros ou o que lhe valha, mas que vive no desinteresse que só esquecem quando se acendem as luzes da árvore e o bacalhau e as couves vão ao lume. 

Ouvem-se as brincadeiras dos mais novos que não conhecem aquelas ruas e que dali só sabem que é a terra. Assim, simples. Sem outro nome. Sem mais história ou amor. A terra, lá onde vivem os avós e aquelas pessoas que se dizem família, mas que eles não sabem quem são. 

Vai-se o Natal nos carros que partem sem olhar para trás porque para a frente é que fica o caminho. Na cidade, na vida que se mostra aos outros como se só aqueles que deixam a terra fossem gente digna de memória. Cheios de conhecimento na ponta dos dedos e de cabeça vazia de saber. 

Seguem com o corpo cheio de açúcar e óleo. O polvo e o bacalhau a brigar com o peru. Os movimentos presos com o excesso de comida dos últimos dias. 

- Mas para que é tanta comida? - dizem eles enquanto se servem uma e outra vez sem que tivessem dado um minuto que fosse para ajudar. É precioso o seu tempo, o dos outros é outra história. 

Dizem um adeus sem energia e um até já despachado. Esperam a visita nas avenidas movimentadas. Onde interessa. A aldeia fica para dali a um ano, quando o senhor de vermelho voltar a fazer uma visita. 

Ficam para trás as memórias e as histórias que são só suas e dos seus, mas que preferem que assim não seja. 

- Nem me lembres disso - dizem quando se fala da infância em tempos menos abundantes e de mais inocência. De pernas esfoladas e comportamentos que tinham o seu quê de palermas. 

Lá vão cheios das suas grandezas deixando para trás a certeza, que não chegam a conhecer, que diz que o melhor é aquilo que se esforçam por não recordar. 

É o Natal que devia ser todos os dias, mas que se escapa sem chegar a existir. Para os que assistem à partida ficam as casas mais vazias, os corações apertados de saudades, a distância a pesar nos dias que já são tão sós. 

Lá pela terra só sobram os que de lá não querem sair e que sabem tanto sem que os deixem mostrar. Foi-se o Natal, foi o que foi.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Lugar à mesa...de Natal

Mais um ano. O dia começa como todos os outros. Cedo. É assim para quem tem de alimentar a família. Não há dia santo que lhe valha, o trabalho está sempre à sua espera. E elas apresentam-se de bata vestida e lenço à cabeça. Sempre. 

O dia amanhece frio e a noite ainda não se foi por completo. Para espantar os arrepios acendem a lareira que dá outro alento à casa. O crepitar da lareira já garante meio sustento. Pegam no alguidar de barro, já marcado do uso, e deixam-no em cima do velho banco de madeira. Por baixo, uns panos feitos de restos para amparar as pancadas que o trabalho não é de brincadeiras. 

Juntam-se várias mãos. Diferentes gerações, o mesmo espírito, os mesmos braço feitos de força. Dois dedos de conversa e outros tantos de trabalho que assim, com companhia, até vai embalado.

Preparam as coisas a olho que as medidas só as usa quem não tem mãos treinadas. Deixa-se a margarina em banho-maria. Segue o resto para o alguidar. Um de farinha com fermento e outro tanto daquela que se encomendou ao padeiro. Sal. Açúcar nem vê-lo que a massa é assim mesmo. A raspa dos limões que se trouxe da vizinha, e da laranja que se foi buscar ao quintal. Mais o sumo que sempre adoça. 

Mete-se a cafeteira ao lume que o corpo pede o café, e as mãos vão ao trabalho. A manteiga derretida e é começar a juntar tudo. Com paciência e o seu quê de sabedoria. Um amassar com precisão que isto não se faz de qualquer maneira. É o saber que está pronto só de olhar. Passa a cafeteira para a borda da lareira enquanto se espera que a borra assente e verifica-se o tempero da massa. Quando está no ponto, passa para o balcão e é batida até o trabalho ser dado por feito. No meio de conversas e risos perdidos que a vida pode ser triste, mas ainda não levou a capacidade de sorrir. 

Massa estendida e o cheiro a cru a misturar-se com o café da borra. Óleo a aquecer na panela grande. O garfo próprio à espera. 

Cortam a massa sem hesitar e levam-na ao óleo quente. O borbulhar a crescer e o coscurão a ganhar forma. As bolhas da massa a rebentar. O cheiro a óleo quente e massa frita. Os braços a queimar. O açúcar e a canela prontos para o final. 

Ainda mal nasceu o dia e aqueles corpos já contam com horas de trabalho. O calor do lume a aquecer-lhes a cara. E uma travessa de coscorões pronta para a família e para quem quiser que comida é coisa que nunca se nega. 

Que venha a noite de Natal.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2016

Açúcar e canela

O dia começa cedo, igual a todos os outros. Ainda está escuro lá fora e no fogão já está a cafeteira ao lume com água. Quando ferve junta-se três colheres de café, mexe-se e espera-se que a borra assente. Só depois da caneca de café e do bocado de pão com manteiga é que o dia pode começar a sério. 

É véspera de Natal. Sente-se o frio da época no corpo, mas nem isso demove quem tem o que fazer. Bata vestida, rodilha metida no bolso e pano a tapar o cabelo. Está tudo pronto para começar o trabalho. 

Vai-se buscar o alguidar de barro já meio partido pelos anos de uso e prepara-se tudo o que se precisa. A abóbora cozida, a bola de pão em massa, a farinha, o limão e a laranja e a aguardente e o abafado. Nada fica esquecido. 

Arregaça-se as mangas que o frio de agora vai desaparecer assim que o trabalho a sério começar. Juntam-se os ingredientes pela ordem que está gravada na memória e que é auxiliada pela folha de papel gasta que guarda a receita que vem de outras mãos. 

Amassa-se tudo com vigor e força. Levanta-se a massa em peso para logo a seguir a largar no alguidar. Ouve-se o baque seco do alguidar contra o banco de madeira onde está empoleirado. 

- O alguidar tem de ficar limpo, a massa tem de levantar toda. 

Só assim é que se sabe que ficou pronto. A massa cheia de bolhas a rebentar e as paredes do alguidar limpas de farinha. 

Depois é tempo de descansar, de tapar a massa com os cobertores que se encontrar e deixá-la perto do lume para levedar. Dar-lhe tempo para crescer. 

Quando a massa dobrar o tamanho, é esperar que o óleo aqueça para começar a fritar. Ficar a ver aquela massa esbranquiçada a ganhar volume, a virar sobre si mesma e a flutuar no óleo enquanto começa a ficar castanha. 

 Saem cheios e gordos, a brilhar com o óleo que ainda pinga e a fervilhar. Os mais pequenos esperam para completar as suas funções de passar os doces pelo açúcar e pela canela e, sem ninguém ver, provar um ou outro mais pequeno.

- Vai oferecer este pratinho à vizinha. 

É Natal, cheira a fritos e a canela, a lareira dá calor aos que já estão quentes do trabalho e o café espera que os belhozes lhe façam companhia.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Dura uma semana

O sol ainda não tinha nascido é já se ouvia as mulheres a amassar a massa. O alguidar de barro batia contra o balcão e ouvia-se o arfar cansado de quem amassava há mais de duas horas. 

O ar cheirava a massa a repousar debaixo dos cobertores pesados, não faltava muito para passar a óleo quente, açúcar e canela. O Natal estava aí e os velhozes e coscorões estavam quase prontos.

Lá andavam os miúdos. Rua acima e rua abaixo. Em grupos de quatro ou cinco. Desde dos mais novos aos que já deviam ter ganho algum juízo com a idade. Algumas tradições não deixavam espaço para a lucidez. 

O dia começava cedo para todos. Eles batiam os pés e esfregavam as mãos para aquecer. Mais um copo de três antes de começar a ronda e o frio de Dezembro já estava esquecido. Faziam-se à estrada a pé ou empoleirados em carroças. O destino estava decidido, como chegavam lá era pouco importante.

Corriam as estradas e entravam pelos portões sem pedir autorização. Do outro lado das janelas havia quem os seguisse sem se fazer notar. E lá iam eles portão fora outra vez. O resultado do roubo na carroça e mais uns quantos a correr rua abaixo até à próxima paragem.

Juntavam-se troncos e raízes. Árvores que estavam caídas e outras que já tinham visto melhores dias. Não se pedia autorização para entrar nem para encher a carroça. A tradição era que fosse feito pela calada, mesmo que toda gente soubesse o que se passava.

Quando a noite começava a cair, encontravam-se todos no sítio do costume. A velha praça. Troncos ao centro e lenha miúda para atear. Era ver pegar fogo e ficar até se querer. 

Era a noites antes do Natal, a fogueira estava a arder com a lenha roubada neste e naquele terreno. A noite ia ser longa e toda gente ia parar por ali antes de se darem as festividades por fechadas. Assavam o chouriço e o toucinho, alguém trazia pão acabado de cozer e um prato de velhozes. Fazia-se o Natal ali, fora de portas e sem prendas. Com conversa e o calor da fogueira de Natal que resistia às dificuldades e ao tempo.

A fogueira ia arder até que entrasse o novo ano. Que viesse melhor do que este, era o que se esperava. Nem sempre se cumpria. Mas a tradição voltava. Pelo menos naquele tempo.



terça-feira, 15 de dezembro de 2015

Assim que chega ao frio

Era mesmo ali no fim de Novembro. Dezembro a espreitar e já um frio considerável na rua. Casacos quentes e manhãs de nevoeiro. Daquele nevoeiro tão cerrado que se podia esperar a chegada de D. Sebastião a qualquer momento.

Já cheirava a Natal. Cheirava a frio, a lareiras acesas em quase todas as casas e mantas quentinhas à nossa espera no sofá. Tínhamos por certo que as férias estavam a bater à porta.

Mas o Natal só chegava quando, ao acordar de manhã, a árvore já estava à nossa espera. Verde, gorda e a sujar a casa toda com resina. Árvores a sério. Daquelas que picam e que cheiram a verde e a natureza. Que cheiram a Natal.



O Natal começava quando ele saía cedo de casa. Casaco abotoado até cima e lá ia ele. Voltava já perto da hora de almoço. Às costas trazia dois pinheiros.

- Um para a tua casa e outra para aqui - dizia assim que chegava numa lengalenga repetida ano após ano.

Era ali que começava o Natal. Nos dois pinheiros deitados no chão. Mais redondos do que os desenhos que se fazia na escola e com um cheiro que enchia tudo à sua volta. Dois vasos cheios de areia e revestidos a papel de embrulho estavam preparados para os receber. Os sacos cheios de fitas e bolas de todas as cores e feitios saíam dos armários.

Estava nevoeiro e ameaçava chuva. Os casacos estavam abotoados e os cachecóis ficavam tão enrolados que só deixavam os olhos à vista. Os pinheiros, com direito a resina pelo chão, estavam preparados para a festividade e o ar cheirava a Natal. Uma mistura que ainda levava canela e fumo da lareira.

Era assim que começava o Natal quando eu tinha pouco mais de um metro de altura e o cabelo à Beatriz Costa. Com dois pinheiros apanhados de propósito para mim.