quarta-feira, 25 de novembro de 2015

As pancadas

A sala estava cheia e o portão ainda não tinha fechado. Havia quem ficasse lá para trás, de pé. Encostados ao balcão onde se serviam bebidas antes de começar o espectáculo. E durante, se fosse caso disso.

Era uma plateia improvisada, Com cadeiras de metal que primavam pelo desconforto. A sala era fria. Nas noites de Inverno fazia tanto frio como na rua. Quem aparecia já sabia ao que vinha. Apertavam mais o casaco, aconchegavam o cachecol e ficavam. Não havia desculpa para ficar em casa. Iam para se divertir e isso justificava tudo. Iam para ver aquele miúdo que tinha tanta graça que bastava entrar em palco para na sala rebentar numa gargalhada geral. Se ele quisesse podia ir longe, ouvia-se dizer.

A cortina, vermelha como manda a tradição, estava fechada. De vez em quando ouvia-se um riso do outro lado ou alguém espreitava.

- A casa está cheia - diziam lá para dentro.

No meio do corre-corre entre a maquilhagem e a roupa. Eram cotoveladas e "Chega para lá" que o espaço era pouco para todos os que iam entrar. Alguém olhava para o relógio só para confirmar as horas. Estava quase a começar. E a sala já estava cheia. Reviam falas e marcações. Olhavam ao espelho mais uma vez. As mãos tremiam. Era noite de estreia.



Do outro lado da cortina aproveitavam para pôr a conversa em dia e para escolher os últimos lugares. 

- Oh menina, sente-se aqui à frente que aí não vê nada. Eu troco consigo.

E lá se ajeitavam. Puxavam de um lado, encolhiam do outro. Cumprimentavam o vizinho e fazia-se silêncio assim que se apagava a luz. Esperavam pelo sinal.

Ouviam-se as pancadas secas na madeira. Estava na hora. O abrir apressado da cortina revelava o cenário e os actores, vizinhos de todos os dias, entravam em palco. Com outras histórias. Maquilhados e vestidos como outros que não eles.

Começava o espectáculo. A sala em silêncio. Todos atentos. Entrava o tal miúdo em palco e a gargalhada geral enche a sala.

- Se quisesse, podia ir longe - ouvia-se alguém dizer.

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

O homem do saco

Só reparei nele quando me baixei para apanhar o conteúdo da minha mala, que estava espalhado pelo chão da plataforma. As minhas coisas têm vontade própria e uma relação clandestina com as calçadas e estradas por onde vou passando.

Foi o saco verde fluorescente que chamou a minha atenção. Um daqueles sacos de compras com rodinhas e espaço ara levar meio supermercado lá dentro.

Ele, de cabeça baixa e metido na sua vida, estava sentado num dos bancos de metal da estação. Tinha umas calças vermelhas e um casaco abotoado até cima. O dia estava a amanhecer radioso, mas prometia frio. A barba, mais branca do que preta, escondia a cara magra. Os olhos, grandes e fundos, estavam fixos nas mãos calejadas que não paravam quietas.


O tilintar metálico ouvia-se ao longo da plataforma que estava completamente em silêncio, mas cheia de gente à espera. A uma hora daquelas não se fala porque o dia está a começar. Na viagem de volta a silêncio é justificado porque na manhã seguinte também é dia. Ele lá continuava e ninguém olhava para ele, fixo nas mãos e nas agulhas que tilintavam.

Parou para se debruçar sobre o saco. A idade não lhe tirava a agilidade ao corpo magro. Procurou durante tanto tempo que lhe perdi a conta. Quando encontrou o que precisava, voltou à sua vida. O tilintar soou pela estação e as pessoas à sua volta continuaram a tentar ganhar forças par ao dia que estava a chegar. Ele, de vez em quando, lá olhava de soslaio para eles. Eles, como sempre, apertavam mais o casaco e continuavam alheios a tudo à sua volta.

Uma voz rouca e distorcida avisou que o comboio daquela hora estava quase a chegar. Ele não esperou pelo segundo aviso. Arrumou as agulhas e tudo o que tinha no colo e fechou o saco. Puxou-o com uma mão e meteu a outra dentro do bolso do casaco. Bateu com os pés no chão, não sei se para afastar a dormência causada pelo tempo que passou sentado ou se queria meter medo ao frio.

Estava a nascer um daqueles dias de sol de Inverno que não aquece de maneira nenhuma. Pelo menos, o cachecol que ele tanto tricotava estava quase pronto.

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Minha linda freguesia

Ajeita-se o lenço na cabeça e aperta-se o avental. A saia abaixo do joelho e os saiotes brancos passados com rigor.

Está calor, mas veste-se o traje a sério. Com direito a camisa, meias rendadas e sapatos fechados. Calças grossas para os homens e colete apertado até ao último botão. Não esquecer o chapéu e o barrete. Que se faça a festa.


Juntam-se os pares, os músicos preparados e os cestos cheios de flores. De todas as cores. Estão todos em posição. Braços esticados, passos marcados. Está tudo preparado, que comece a música.

O público junta-se, bate palmas e balança o corpo ao ritmo dos passos na madeira do palco.  Que venha a paródia que trabalho já há muito. Em cima de palco continuam a dançar, a saia vermelha roda e deixa a meia branca à vista. 

Separa-se o grupo. As mulheres ficam para trás. Os dois homens avançam. Barrete na cabeça e mão no colete. Frente a frente num duelo de música e ritmo. Ouve-se o fandango. Cronometrado, ensaiado ao milimetro. 

Juntam-se todos outros vez. Elas de cesto nos braços e mão na cintura. Está preparada a última dança. Ouvem-se as primeiras notas da música que já se conhece de cor e as flores são lançadas ao público. Os pares vão saindo. O acordeão e o clarinete ainda a tocar.

O público junta-se às vozes em cima de palco. Cantam todos enquanto os mais novos correm a apanhar as flores que vão caindo. Os dançarinos vão saindo enquanto acenam com os barretes e os cestos já vazios.

Mas continuam a cantar. Que seja assim. Cantemos todos, com alegria.




domingo, 15 de novembro de 2015

Ó de casa

- É para encher?

Grita o miúdo enquanto desce a rua. Calções de tecido, boné na cabeça e garrafa de vidro na mão. Entra na taberna sem hesitar e o taberneiro limita-se a perguntar:

- É para assentar no livro?

Nas mesas que andam por ali espalhadas ficam uns quantos com um copo de vinho à frente e cabeça caída com o peso do sono, outros jogam à bisca enquanto não é tempo de voltar a casa.


O miúdo corre rua acima sem fazer mais perguntas.

Uma janela de madeira abre-se. Uma miúda de lenço atado à cabeça espreita à janela, anda à procura do irmão que teima em não chegar. Do outro lado da rua, juntam-se as vizinhas em horas perdidas de conversa.

- O miúdo já aí vem - dizem-lhe sem perguntar o que procura.

E lá ficam elas encostadas à parede, de saia pelo tornozelo e cesta aos pés. Vestem luto carregado. Andam a ver quem passa e contam as novidades que sonharam no dia anterior. Apertam mais o xaile para as proteger e falam baixo para que ninguém dê por elas. Juram que sabem da vida de todos, mas pouco percebem do que passa do outro lado das portas.

Está na hora de despegar. Os homens aparecem ao cimo da rua com roupa de trabalho e enxada ao ombro com o saco do conduto pendurado. As botas vêm cheias de lama e as mangas da camisa arregaçadas. 

As mulheres e as crianças vêm mais atrás. Cestas equilibradas na cabeça e ar cansado de quem dá por terminado o dia. Ou parte dele. Espera-lhes o jantar, o inventar comida para as bocas que têm lá por casa. O rezar para que o marido não beba mais do que a conta.

- O teu homem anda pela taberna.

A mulher, cansada e com a pele marcada pelo trabalho no campo, olha de soslaio para a outra e segue caminho. Que a ignorância lhe sirva de lição, pensa. Devia ter vergonha da vida que leva, acredita a outra.


Vive-se paredes meias com uma aldeia inteira. Sabe-se de toda gente ou faz-se por saber. Reza-se pela alma do abençoado para sair a dizer mal de quem passou à sua frente. 

- A benção.

Se é que há benção que chegue neste mundo para tudo o que se vai passando por ali. Olha-se para a porta alheia porque é mais fácil apontar os dedos aos outros. 

Volta-se para a casa. Amanhã começa tudo outra vez. Mais um dia. Está tudo igual.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Quentes e boas

No S. Martinho, vai à adega e prova o vinho. É o que se ouve dizer por aí.

A uma adega qualquer, nestes dias não é preciso convite. O que é preciso é sorte para encontrar uma que esteja aberta.

Tempos houve em que as adegas abriam os portões e ficavam à espera de quem quisesse entrar. Sem convites ou publicidade, era a tradição da porta aberta a quem viesse por bem.

Os homens juntavam-se, as mulheres ficavam recolhidas em casa. Boné aos quadrados na cabeça e copo de vidro na mão. Dos pequenos, é assim que pede o vinho.

Provava-se o vinho novo que ainda estava guardado em pipas. Das de madeira que enchiam aquele espaço em que o cheiro a álcool parecia estar colado às paredes a quem por lá passava. Juntavam-se amigos e conhecidos para cumprir o ritual de devoção a um santo.

Fazia-se a fogueira numa lata que andava por ali perdida. Era Novembro, o tempo estava frio e o vinho ainda demorava a fazer efeito. A fogueira ficava mesmo ali, no meio da adega. Aquecia os convivas do vento que entrava pelo telhado e pelas frestas da parede. Mais um copo de vinho que a fogueira começava a pegar.

Cortavam-se castanhas com os canivetes que andavam no bolso e o assador ia ao fogo. Era ver os homens a aquecerem-se na fogueira improvisada enquanto esperavam que o petisco ficasse pronto. Novos e velhos, sem distinção, Em dias de festa, o vinho era para todos.

Ouvia-se o abrir da torneira de madeira. Com esforço. Era só mais um copo de água-pé que era da boa. Tão boa que arde na garganta e aquece o corpo. É nova. Alguns começavam a ter dificuldade em manter-se em pé e o equilíbrio ia-lhes fugindo a cada copo que deitavam abaixo.

Queimavam-se as mãos enquanto se provavam as castanhas acabadas de sair do lume. Quentes e boas, como se quer. As vozes, arrastadas pelo peso do vinho, falavam de outros tempos tão antigos que se perdem na memória.

A noite terminava quando já nem se sabia que horas eram. A adega cheia de fumo e os corpos quentes da prova do vinho. Abriam-se os portões enquanto se bebia o último copo.

Só mais um. Para dar força para o caminho.


terça-feira, 10 de novembro de 2015

Cesta Aviada

É sábado de manhã e o fim-de-semana ainda está a começar. A praça enche-se de pessoas e cheiros. O doce da fruta mistura-se com o cheiro a terra dos legumes. As cestas entram vazias e encaminham-se para os sítios do costume. Ainda existem rotinas que vale a pena cumprir.

Ouvem-se risos e conversas perdidas. A cada passo que se dá um cumprimentos solto acompanhado de um sorriso:

- Olá, como vai?

Pergunta-se pelo marido e pelos filhos. Estranha-se a ausência da semana anterior. É o calor da preocupação misturado com as frutas, os legumes e as conversas perdidas. Existem rotinas que marcam toda uma semana.

- Como é que são as uvas? As da semana passada não eram muito boas.

É preciso haver franqueza no que diz. O que não se gostou e o que era de chorar por mais. Na banca misturam-se os verdes e os vermelhos, os cestos com a fruta mais delicada, a balança por onde vão passando sacos e o pequeno bloco onde se vai anotando as contas. Algumas coisas ainda se fazem à antiga.


- Prove este bocadinho.

Dado sem esperar nada em troca. Só porque sim. Porque se confia no que se tem e se conhece quem ali está. Cheira-se a fruta e pede-se só mais um raminho de salsa que está mesmo a faltar para o almoço.

A cesta vai enchendo. São avios e conversas, bocadinhos de calma numa vida que se leva tão agitada.

- Então bom fim-de-semana.

- Veja lá se aguenta esse peso todo!

Um adeus apressado e a certeza que estamos de volta daí a oito dias.


sábado, 7 de novembro de 2015

Nem devem ter cinema

- Eles nem devem ter cinema.

É das observações mais ouvidas quando se fala nestas coisas de viver para longe da grande cidade.

- Não temos. Lá na terra há alguma dificuldade em perceber esse conceito do que é o cinema. Em tempos que já lá vão, um primo em terceiro grau e muito cosmopolita emprestou-nos o "Cinema Paraíso" e conseguimos perceber mais ou menos a coisa. É isso o cinema, não é? Um senhor com fitas pretas num cubículo?

Podíamos responder assim, mas não era politicamente correcto.

A verdade é que não deixa de ser curioso que uma das grandes dúvidas das mentes cosmopolitas seja se há um cinema lá no interior ou se temos de andar duas horas de carro por entre montes e vales até avistar algum. Podíamos esperar outras inquietações. Há hospitais? Como são as escolas? Os transportes são um tormento, não?

Afinal, o que realmente inquieta as almas é a existência, ou não, de um cinema. Como se não houvesse outro interesse além de tratar da horta, remendar as meias e levar as ovelhas a pastar.

Mas eu tenho de vos contar um segredo. Acham que estão preparados?

Aqui, atrás da serra e longe da agitação da cidade, as pessoas também vão ao cinema. Sem ter de andar duas horas de carro nem apanhar avião. Até vão a festivais de cinema. E de terror. Imaginem que nem se benzem com medo das aparições e actos satânicos. Espantoso, não é?

E até pagam bilhete.





(imagem do átrio na segunda edição da Área de Contenção - Encontros Internacionais de Cinema Fantástico e de Horror do Cartaxo  que decorre este fim-de-semana no Centro Cultural do Cartaxo. Parece que há vida lá pela terra.)

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Diz-me como te chamas

O Ti Manel do Moinho não é tio de ninguém. É filho único. Que se saiba também não tem moinho. O avô dele é que teve um. Pelo menos é o que ouve contar por aí. Foi há tantos anos que nem se sabe bem onde era o dito. Seja como for, com moinho ou sem ele, não há quem o conheça por outro nome.

O Zé da Taberna é que costuma contar estas historietas. Um copo de três, o pastel de bacalhau que a Maria dele tinha acabado de fazer e mais umas quantas histórias perdidas. Tem a taberna desde que a terra tem gente. Foi nessa altura que a Taberna substitui o Santos como apelido. Nunca lhe falta vinho ou tema de conversa e as poucas mesas de madeira já gasta estão sempre cheias com os homens lá da terra.

- Oh, Maria das Dores, dá aí mais um pastel!

Ela chama-se mesmo Maria das Dores. Confirmado no registo civil. Que se saiba não anda por aí aos gritinhos e queixumes. Mas também se sabe que a irmã dela não é Isabel da Maria das Dores. Tirando o primeiro nome, é tudo herdado da irmã. E tudo culpa da pequena Isabel que tinha a mania de andar agarrada às saias da Maria das Dores para todo o lado.

As duas têm pavor do General. Ou da General, como quiserem. É assim que a menina Ermelinda é conhecida. Senhora professora, metro e meio de altura, régua de madeira como melhor amiga. É conhecida como General, mas nem sonha que é assim que a chamam. Por aqui também há segredos.

Por aqui, quando se ouve chamar alguém, é provável que não seja o nome que aparece no bilhete de identidade.

- Bom dia, Júlio Carteiro. Novidades?

Júlio é carteiro de profissão e Silva de registo, mas são pormenores que quase ninguém conhece. E que pouco ou nada interessam.

Existem tios sem sobrinhos, avós emprestadas, irmãs que dão sobrenomes aos mais novos, profissões que se transformam em apelidos, brincadeiras de miúdos que crescem até à idade adulta. Há um sem fim de histórias em cada um desses nomes. Algumas bem antigas. Outras bem tristes.

Lá pela terra, o nome que se ouve diz mais do que o que consta nos registos oficiais. Diz-me como te chamas e eu posso muito bem dizer-te quem és.

terça-feira, 3 de novembro de 2015

Meio sustento

Já diziam os antigos que uma fogueira era meio sustento. Duas era sustento por inteiro. Ninguém sabe mais destas coisas do que os antigos que sustentavam-se com o pouco que havia e que chegava para todos.

Não vamos contestar quem leva anos de experiência nisto. 



É o conforto da casa quente nas noites que começam a arrefecer. O que noutra vida era quase meio de sobrevivência. Na altura em que as telhas estavam à vista de todos e o frio entrava sem pedir autorização. As paredes largas não chegavam como aconchego e a sala onde todos dormiam não era pequena o suficiente. Não aquecia.

Era a fogueira que dava vida. Feita no meio da sala com os restos do que ardia na rua. Uma família inteira sentada à volta das brasas, a aquecer as mãos enquanto se remendavam as meias e se contavam meia dúzia de histórias. O garrafão do vinho pousado ao lado do banco. Era só mais uma noite, mais um dia. 

Mesmo nas alturas mais quentes acendia-se o fogo. Para cozinhar. A panela em cima das brasas e a sopa a borbulhar até ficar no ponto. A lareira era tão grande que um homem cabia lá dentro sem se curvar.

Era sustento. Mesmo que fosse só meio. Era melhor que nada.



domingo, 1 de novembro de 2015

Onde foste?

Estamos na altura dos Santos. Fui à feira.


As tendas estão montadas e os pregões ensaiados. 

- Mais uma voltinha!

Só mais uma. Mais uma moeda e uma viagem na chávena ou nos carrinhos de choque. Os pais esperam e alguns desesperam enquanto os miúdos sobem e descem das diversões sem mostrar cansaço. A feira está quase a acabar, não há tempo a perder.

As cestas vão enchendo. Um saco de castanhas que são das boas e o São Martinho não tarda está aí. Maçãs, clementinas e mais umas romãs. Agora já parece Outono.

- Escolha-me aí um quilo de nozes. Veja lá se são boas.

Juram que se não forem vão reclamar. Amanhã, quando da feira só sobrarem as caixas vazias e os papeis pelo chão. Até lá há tempo para regatear e escolher o que parece melhor.



É o casaco da moda e a camisola quentinha. As ruas começam a encher e as pessoas vão deitando olho. Nunca se sabe do que é que se precisa e o que é que se quer. É melhor aproveitar enquanto as tendas ainda estão montadas e as nuvens só ameaçam chuva.

Há fumo no ar. Cheira a castanha assada e as farturas estão a sair do óleo. 

- São cinco para levar.

- Oh freguesa, leve sete que paga o mesmo!



 

Voltamos para o ano, se Deus quiser e os santos ajudarem.