terça-feira, 3 de novembro de 2015

Meio sustento

Já diziam os antigos que uma fogueira era meio sustento. Duas era sustento por inteiro. Ninguém sabe mais destas coisas do que os antigos que sustentavam-se com o pouco que havia e que chegava para todos.

Não vamos contestar quem leva anos de experiência nisto. 



É o conforto da casa quente nas noites que começam a arrefecer. O que noutra vida era quase meio de sobrevivência. Na altura em que as telhas estavam à vista de todos e o frio entrava sem pedir autorização. As paredes largas não chegavam como aconchego e a sala onde todos dormiam não era pequena o suficiente. Não aquecia.

Era a fogueira que dava vida. Feita no meio da sala com os restos do que ardia na rua. Uma família inteira sentada à volta das brasas, a aquecer as mãos enquanto se remendavam as meias e se contavam meia dúzia de histórias. O garrafão do vinho pousado ao lado do banco. Era só mais uma noite, mais um dia. 

Mesmo nas alturas mais quentes acendia-se o fogo. Para cozinhar. A panela em cima das brasas e a sopa a borbulhar até ficar no ponto. A lareira era tão grande que um homem cabia lá dentro sem se curvar.

Era sustento. Mesmo que fosse só meio. Era melhor que nada.



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