domingo, 21 de fevereiro de 2021

Pão de Forma

Eu gosto de pão caseiro. e preferência cozido em forno de lenha, mas se não puder ser que seja como for. Mas caseiro. Com chouriço. Integral ou de trigo. Com invenções ou simples. E cheio de olhinhos, se for possível.

Com esta aventura da massa mãe, aventurei-me noutros pães e como o senhor que mora cá em casa tem uma paixão sem fim por pão de forma (principalmente daquele de uma marca bem conhecida, mas que eu acho que é tão artificial que nem pão é), eu procurei por uma receita do dito cujo.

Esta foi a primeira receita que experimentei e continuo a fazer várias vezes. Se cortarem em fatias e congelarem, depois é só colocar no forno ou na torradeira e fica pronto. Não é a minha primeira escolha, tenho de ser sincera, mas faz uma bela de uma tosta mista.

Para cozer este pão uso uma forma de bolo inglês com 30cm de comprimento.

Pão de Forma

575gr farinha de trigo T65

345gr água 

150gr de fermento massa mãe

12gr sal

12gr água

55gr manteiga sem sal amolecida

50gr açúcar mascavado ou amarelo

Numa taça misturar a farinha com a água. Misturar muito bem até ficar uma bola sem vestígios de farinha seca, se necessário molhar as mãos enquanto se mistura. 

Deixar repousar entre 1 a 2h. 

No fim do tempo de repouso, juntar a massa mãe dissolvida em 12gr de água. Misturar. Se tiver dificuldade em juntar a massa com o fermento tente misturar primeiro com a ajuda da colher de pau e depois bata na máquina (ou amasse à mão).

Quando estiver misturado, junte o sal e em seguida o açúcar. Por fim, junte a manteiga aos poucos e deixe que a manteiga se integre na massa. Deixe a massa bater até se descolar da taça (caso esteja a amassar à mão deve deixar bater até que a massa  não se cole às mãos.

Passe para uma taça limpa e deixe levedar durante 2h. Ao fim deste tempo, faça as dobras na massa (neste vídeo explico como fazer as dobras) e deixe descansar mais 2h. No final da segunda fase de levedação, deite a massa numa superfície enfarinhada, molde ao seu gosto (costumo dobrar tal como faço com o pão caseiro), passe novamente para a taça e leve ao frigorífico durante a noite (o frigorifico deve estar a mais ou menos 4º)

Na manhã do dia seguinte, retire a massa do frigorifico, passe para um asuperficie enfarinhada, volte a moldar para ficar com uma forma rectangular e passe para a forma de bolo inglês que deve ter uma folha de papel vegetal.

Deixe levedar num sítio quente até que a massa chegue ao topo da forma.

Aqueça o forno a 200º. Deixe aquecer durante uns 40 minutos. Leve o pão ao forno durante 25 minutos e depois diminua a temperatura para 180º e deixe mais 15 minutos no forno. Se estiver a ficar muito queimado por cima, coloque uma folha de alumínio a tapar.

Tire do forno e deixe arrefecer fora da forma num tabuleiro de rede.



E está pronto. Experimentem, fica bastante bom (embora eu continue a preferir o pão caseiro)

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Massa mãe

A massa mãe é um processo que testa a nossa paciência. Durante dias não acontece nada e depois, de um momento para o outro, parece que começa tudo a funcionar. E são tantos os factores que podem condicionar o desenvolvimento da massa mãe: a temperatura, a farinha...

Mas voltei a arregaçar as mangas e lá fui eu à luta. O vídeo está no canal e o passo a passo fica aqui. Se quiserem experimentar, vale a pena. Leva o seu tempo, mas o pão fica com outro sabor. E o cheiro que fica na cozinha depois de cozer até lembra os tempos das nossas avós. 

Massa Mãe 

Este processo demorou seis dias e ao quarto achei que aquilo não ia dar em nada.

1° dia

50gr de água filtrada ou de garrafão 

50gr de farinha

Numa tigela, misturar a água e a farinha até ficar uma pasta. Passar essa pasta para um frasco (reutilizei um frasco de salsichas) e colocar a tampa, mas não fechar. A tampa deve ficar só por cima, é importante que permita a passagem do ar. Guardar num sítio seco e que mantenha a temperatura constante. Eu deixei o meu na sala porque o tempo estava frio e na cozinha a temperatura era mais baixa. Como estávamos na sala com lareira e aquecedor, era mais fácil ficar uma temperatura amena. 


2° dia

A massa está muito parecida com a do dia anterior. Começa a ter um ligeiro cheiro a fruta. 

50gr de água filtrada ou de garrafão 

50gr de farinha

Numa tigela, misturar a água e a farinha até ficar uma pasta. Passar essa pasta para o frasco e misturar com o que já lá estava até ficar tudo uniforme.


3° dia

Aqui continuei sem ver grandes alterações. O cheiro passou a ser um frutado avinagrado, mas agradável. 

50gr de água filtrada ou de garrafão 

50gr de farinha

Numa tigela, misturar a água e a farinha até ficar uma pasta. Passar essa pasta para o frasco e misturar com o que já lá estava até ficar tudo uniforme.


4° dia

No quarto dia, já se notava alguma atividade. A massa tinha furos e o topo estava mais redondo, mas tinha muita massa por isso descartei a maior parte e deixei ficar cerca de 50gr no frasco. 

50gr de água filtrada ou de garrafão 

50gr de farinha

Numa tigela, misturar a água e a farinha até ficar uma pasta. Passar essa pasta para o frasco e misturar com o que já lá estava até ficar tudo uniforme.

Fazer uma marca da altura da massa no frasco para conseguir controlar o crescimento.

5° dia

A massa cresceu ligeiramente e manteve o cheiro frutado. No topo começaram a aparecer bolhas. 

50gr de água filtrada ou de garrafão 

50gr de farinha

Numa tigela, misturar a água e a farinha até ficar uma pasta. Passar essa pasta para o frasco e misturar com o que já lá estava até ficar tudo uniforme.

Fazer uma marca da altura da massa no frasco para conseguir controlar o crescimento.

6° dia

A massa cresceu para o dobro e está cheia de furos. Se mexerem na massa com a colber vão perceber que por dentro tem muitos buracos. É isto mesmo que queremos.  Estamos prontos para fazer pão e para preparar a nossa mãe para guardar.

Para uma taça vamos tirar cerca de 50gr da massa mãe e vamos juntar 100gr de farinha e 100gr de água. Misturamos tudo bem e deixamos repousar durante a noite. Este vai ser o fermento para usar no pão. Normalmente, quando o tempo está frio, demora cerca de 12h a crescer. Esta mistura vai render cerca de 250gr de fermento, se precisarem de mais é só juntar mais farinha e água na mesma proporção. (façam sempre a mais porque há massa mãe que fica colada ao frasco e não conseguimos aproveitar tudo)

O frasco da massa mãe juntamos mais 50gr de farinha e 50gr de água. Mexemos tudo e deixamos levedar durante umas 3h, depois podemos guardar no frigorífico. Da próxima vez que quiser cozer pão faz o mesmo processo. Tira do frigorifico coloca 50gr numa taça e alimenta e alimenta o que ficou no frasco.

Nada como o pão com cheiro a pão da avó. 



domingo, 7 de fevereiro de 2021

Pastéis Caseiros

A manhã já estava próxima da hora de almoço e não havia qualquer ideia do que fazer. Não estava nada a descongelar e a básica massa para desenrascar era coisa que não apetecia. Assim, depois de avaliar as hipóteses disponíveis eu decidi que era dia de almoço vegetariano. Há dois anos que tento incluir mais opções vegan ou vegetarianas na nossa alimentação e, embora alguém não esteja muito convencido, já fiz umas receitas muito saborosas e rápidas (o que nos dias em que ao meio dia ainda não sabemos o que vamos almoçar , é óptimo).

Desta vez, foram uns pastéis de cogumelos e espinafres

Pastéis de Cogumelos e Espinafres

Massa
250gr de farinha sem fermento
125gr de manteiga sem sal fria
1 ovo
Água fria
Sal

Numa tigela, juntar a farinha e a manteiga cortada em cubos e, com os dedos, miaturar as duas até ficar com aspecto de areia.
Juntar o ovo e misturar. Aos poucos juntar água fria e misturar até ficar uma massa suave. 
Levar ao frigorífico durante meia hora (no mínimo)

Recheio
Duas mãos cheias de cogumelos desidratados
Água a ferver
150gr de espinafres
1 cebola
2 c. Sopa de farinha
100ml de bebida vegetal de Amêndoa 

Numa taça colocar os cogumelos e juntar água a ferver. Reservar. 
Numa frigideira colocar um fio de azeite e juntar a cebola. Deixar cozinhar até ficar translúcida.
Juntar os espinafres e deixar cozinhar. Quando estiverem cozinhados, escorrer a água dos cogumelos e envolver bem nos espinafres. Juntar a farinha e envolver bem e adicionar a bebida vegetal e deixar cozinhar até ficar um molho mais espesso. Não é suposto ficar com muito molho, só o suficiente para envolver os ingredientes.

Esticar a massa e dividir em círculos. Colocar o recheio e fechar tal coml se fecham os rissois. Colocar num tabuleiro de ir ao forno forrado com papel vegetal e pincelar com um pouco de bebida vegetal. Se quiser pode colocar umas sementes por cima, eu juntei sementes de papoila. 
Levar ao forno a 190° durante 20 minutos ou até a massa crescer um pouco e ficar dourada por fora.
Servir com uma salada sal ou legumes assados no forno. É tão bom!


E se sobrar algum recheio, não deite fora. Coza massa, junte ao recheio numa frigideira, adicione 2 ou 3 colheres de leite de amêndoa e tem mais uma refeição que isto não são tempos de desperdício.




segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O que faz falta

Falta-nos o ir. A liberdade de decidir o onde e o quando. De ver sítios só porque sim. Fazem falta os amigos que nos esperam, os abraços que nos recebem e as conversas trocadas em mesas apertadas onde há sempre lugar para mais um.

Pegar no carro e ir. Porque está bom tempo ou porque o dia acordou mal disposto. Faz-nos falta o estar. Seja sentados num banco de jardim ou parados a ver a paisagem. A do último ano já sabemos de cor.

E não é que alguém tenha a culpa disto. Ou melhor, todos nós temos o nosso quê de culpa. Todos os que acham que a máscara não os deixa respirar ou que a usam para segurar o queixo. Todos os que juntam só mais um ou dois num total de vinte numa casa onde só vivem dois. E assim, pessoa a pessoa, máscara a máscara, contamos quase doze meses em casa.

Doze meses. E se o descanso da vida agitada e sem sentido que levávamos nos traz outra clareza sobre o que queremos, a verdade é que os dias tornam-se mais pesados quando já não se contam dias de confinamento, mas meses. Um ano daqui a pouco.

E mais do que o ir, faz-me falta a possibilidade de o fazer.



domingo, 31 de janeiro de 2021

Os sabores da infância

A minha mãe guarda as receitas num caderno que lhe fiz. Um caderno relativamente recente que, tal como qualquer outro caderno de receitas, parece que passou por uma guerra. Escrito à mão e com as folhas já marcadas das vezes que as receitas foram repetidas.

Uma dessas receitas é a da torta de laranja. Sem detalhe da temperatura ou tempo de forno. Com 500gr de açúcar que entretanto foram corrigidos para 400 porque a torta ficava assim um pouco para o doce.

Esta torta fica deliciosa e o cheiro é tão bom que me leva de volta à infância e à laranjeira dos meus avós. E o melhor: é fácil de fazer. Mas sigam a dica da minha mãe, façam receita e meia, é a quantidade ideal.

A receita, tal como está escrita no caderno da minha mãe, é:

Torta de Laranja

500 gr de açúcar (cá em casa usamos só 400gr)
2 colheres de sopa de Maizena
8 ovos
2 laranjas (raspa e sumo)

Bate-se os ovos com o açúcar a seguir a farinha e por último a raspa e o sumo das laranjas.
Vai ao forno num tabuleiro rectangular untado com manteiga e forrado com papel vegetal.

(eu tinha o forno a 180° e ficou mais ou menos 15 minutos no forno, mas é melhor ir controlando)

O video da torta está no canal de youtube do blogue

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Outro tempo

As saudades que eu tenho das ruas enfeitadas com arcos de lâmpadas fundidas. Do barulho das pessoas que passam à minha porta a caminho do largo, de fazer tempo até ser horas de lá ir. De esperar pelos amigos que batem à porta. De juntar a família para ir à esplanada.

As saudades que tenho dos dias em que o calor sufocava e das noites que pediam uma malhinha para aconchegar. Dos carros estacionados onde havia espaço e mais uns que inventavam um cantinho onde não havia. 

Eram os coelhos que se criavam para o almoço de Domingo, o arroz doce a arrefecer na mesa e a encher a cozinha de canela e o pão de ló que fica sempre bem. Era a toalha do enxoval esticada na mesa do almoço e outra mesa improvisada no quintal para matar a fome aos músicos que já descem a rua.

Chegavam os que são de cá, mas que vivem lá longe. As novidades que se ouvem nesses dias. Os filhos que lhes nasceram, os divórcios que se fizeram, os amores que começavam na calada da noite na ombreira da porta da igreja. A roupa de festa escolhida para ver a santa passar. Cobertas brancas à janela e terço na mão de quem é devoto. Saudades da roupa que, nas últimas décadas, me acompanha na hora da procissão. 

As saudades do cheiro a frango assado e farturas quentes. Das mãos lambuzadas com algodão doce e os gritos dos miúdos em cima do coreto acompanhados dos avisos nervosos dos pais. Era a dança que se improvisava em qualquer lado, os portais transformados em cadeiras e um ou outro que já nem sabiam bem de onde eram. As rifas que sorteavam o que ninguém queria, mas que levavam todos a tentar a sorte.

Eram os dias certos quando, no que ainda sobrava do calor do Verão, a aldeia ganhava vida. O largo que era da festa aprumava-se e as pessoas esperavam que se fizesse luz e que se ouvisse a música. E cantava-se as modinhas que ninguém queria assumir que sabia de cor. Cinco dias que passavam num estalar de dedos e que nos enchiam a barriga para o ano inteiro. Uma luta para que nunca acabassem, para que no ano seguinte tudo se voltasse a repetir.

As saudades que tenho daquilo que tinha como certo. 





domingo, 24 de janeiro de 2021

Uma nova refeição

Detesto desperdiçar comida e cá em casa temos dificuldade em cozinhar só para dois, por isso há sempre qualquer coisa que sobra. 

O problema? Não gosto de comer muitas vezes seguidas a mesma coisa. Sim, sou esquisita com essas coisas. Por muito que goste de um prato, prefiro não o repetir muitas vezes. 

A parte boa? Acabo por inventar maneiras diferentes de preparar os restos, assim é sempre uma refeição diferente e acaba por ser um exercício de imaginação (sim, às vezes não corre bem, mas na maior parte das tentativas até consigo safar-me)

Desta vez tinha uns bocadinhos de entrecosto no forno que tinham sobrado. O entrecosto estava cheio de sabor, tinha sido temperado com canela, gengibre, erva doce e mel. Sabia a Natal. E assim passou de entrecosto a uma sandes com entrecosto estaladiço e cheio de sabor para um almoço rápido. Estava muito bom e nem me pareceu que estava a repetir uma refeição.


Pão

para dois pães

300gr de farinha com fermento

100gr de àgua

50gr de azeite

sal

Juntar todos os ingredientes e amassar até fazer uma bola de massa suave.

Dividir em duas bolas mais pequenas e levar a uma frigideira antiaderente quente. Cozer de um lado e depois virar a massa. Ter atenção para não queimar.


Cebola e maçã caramelizada

1 maçã cortada em meias luas

meia cebola roxa cortada em meias luas

1 colher de sopa de açúcar amarelo

manteiga

1 cálice de Vinagre Balsâmico

Numa frigideira, colocar a maçã, a cebola e a manteiga. Levar ao lume e deixar a manteiga derreter mexendo sempre. Juntar o açúcar e ir mexendo até a cebola amolecer.

Juntar o vinagre balsâmico e deixar reduzir até ficar uma mistura caramelizada.

Abrir o pão, juntar a cebola e maçã caramelizada e o que mais quiser e está pronto. 



Cá por casa juntámos entrecosto no forno, mas antes cortámos em bocados pequenos e deixamos fritar um pouco numa frigideira para ficar mais crocante.

Estava tão bom que nem me lembrei de tirar uma fotografia, mas no canal de YouTube há um vídeo com todo este processo explicado. Passem por lá, é só clicar aqui.