quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Quem faz a festa para o ano?

O Domingo é o dia sagrado. O dia abençoado da festa. Sai a procissão e a terra veste-se a rigor que nos dias santos e alumiados temos de estar no nosso melhor. O vestido bonito, os sapatos que magoam ligeiramente os pés, o fato bonito para os senhores estarem apresentáveis.

Chegam os visitantes, os que vêm ver a família e os outros que chegam em devoção pela Senhora que abençoa a festas. As ruas estão cheias. Os sinos dão os sinais de que a procissão está a sair.

- Já se sabe se há comissão? - perguntam enquanto esperam para ver os andores.

A procissão segue caminho. Ouvem-se as rezas e os cânticos. A banda toca as músicas que já sabe de cor. O passo arrastado preenche os momentos de silêncio. O terço pende das mãos dos devotos. As varandas estão decoradas, as famílias juntam-se à porta de casa. Segue-se o cortejo até voltar ao largo. Os foguetes a rebentar sem parar e a santa a recolher à igreja.

A população acompanha-a. Olhos curiosos. Ocupam os bancos vagos, ficam em pé quando não há outra solução. Apertam-se mais um bocadinho para caber mais alguém. A igreja fica cheia, o padre dá a benção final.

Do altar chegam as notícias que esperavam. É tempo de anunciar os festeiros do próximo ano. A aldeia assiste em expectativa. Dizem os nomes escolhidos pela comissão deste ano. A tradição é simples: oito nomes, quatro casais casados pela igreja que nunca fizeram a festa.

Quem está dentro da igreja passa a novidade de boca em boca até chegar ao largo onde as pessoas se juntam à espera.

- Já sabes? Quem faz a festa para o ano é...

E passa a novidade de boca em boca até chegar à próxima comissão. Está cumprida a tradição. Que se oiçam os vivas pela festa do próximo ano. E que amanhã a aldeia marche atrás da banda até que seja feita a entrega da bandeira ao juíz do ano que vem. Festa é festa e o povo quer é a rua iluminada e a música a tocar o dia inteiro.

Até para o ano, quando a procissão recolher e a igreja encher com os ouvidos atentos à espera de saber quem é que faz a festa no ano seguinte.


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